No período de 30/10 a 01/11 de 2024, tive a oportunidade de participar de uma expedição ao Raso da Catarina, uma unidade de conservação que abrange oito municípios da região e que inclui importantes áreas de preservação da Caatinga. Esse bioma, exclusivamente brasileiro, possui características únicas e grande potencial para o desenvolvimento de um turismo ecológico e ambiental. Representando a Secretaria de Meio Ambiente de Euclides da Cunha, meu objetivo, junto aos demais participantes, foi reconhecer as potencialidades turísticas e ambientais do local e refletir sobre como essas atividades podem ser conduzidas de forma sustentável.
Durante a expedição, ficou evidente a importância de garantir a permanência sustentável das comunidades indígenas, quilombolas e de assentamentos que habitam o Raso da Catarina. Essas comunidades são verdadeiros guardiões dos saberes tradicionais e mantêm uma relação de respeito e harmonia com o ambiente ao longo de gerações. Acredito que a preservação e valorização desses modos de vida são essenciais para a integridade ambiental e cultural da região. Para que o turismo se desenvolva de maneira inclusiva, é indispensável que essas populações sejam protagonistas, recebendo benefícios diretos e apoio para a preservação de sua identidade cultural.
Outro aspecto que me chamou a atenção foi a necessidade de proteger as espécies locais, em especial as aves endêmicas, que tornam o Raso da Catarina um ponto de interesse singular para observação da fauna. A presença crescente de turistas traz consigo desafios para a conservação desse habitat, e vejo como fundamental a criação de áreas de visitação controlada e de pontos de observação seguros que não interfiram na rotina das espécies.
Além disso, como Secretaria de Meio Ambiente, reconheço o papel vital do bioma Caatinga na manutenção do equilíbrio ambiental, não só para a fauna e flora, mas também para as populações humanas que dependem desses serviços ecossistêmicos. A Caatinga fornece suporte hídrico e climático para a região e possui um valor incalculável em biodiversidade. Ao promover atividades de turismo ecológico, penso que é essencial integrar ações de educação ambiental que sensibilizem visitantes e a comunidade local para a importância desse bioma, incentivando práticas que respeitem e protejam a Caatinga.
Por fim, gostaria de ressaltar o valor do patrimônio natural do Raso da Catarina, composto por formações geológicas, nascentes e cursos d'água que sustentam a vida em meio ao semiárido. Proteger esses recursos é um compromisso essencial para que o turismo na região se desenvolva de maneira sustentável, respeitando os ciclos naturais e garantindo que as gerações futuras também possam desfrutar desse ambiente único. Considero que a implementação de trilhas ecológicas e programas de turismo de baixo impacto são alternativas que contribuem para a conservação e para a experiência dos visitantes.
Concluo que o Raso da Catarina possui um enorme potencial para um turismo que valorize e preserve seus recursos naturais e culturais. A expedição evidenciou a importância de um planejamento que inclua as comunidades locais, proteja a biodiversidade e promova a conscientização ambiental. Creio que a continuidade de esforços colaborativos entre os municípios e outras entidades será fundamental para que o turismo ecológico no Raso da Catarina se consolide como uma ferramenta positiva para a conservação e o desenvolvimento sustentável da região.


